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Rapsódia Distópica
Entre o concreto e o caos, o asfalto e a asfixia, os desejos malogrados e promessas fugazes, nasce esta poética urbana — forjada no suor, na sombra e na subversão. Em vez de decifrar ou idealizar a cidade, os versos e as fotografias aqui reunidos a atravessam, não como respostas, mas como gestos de atenção. São fragmentos de uma experiência vivida no compasso errante, onde texto e imagem não funcionam como fuga, mas como ferramentas de percepção e reflexão. Resistindo ao ritmo anestesiante do cotidiano, buscam escavar sentidos sob o asfalto e oferecem lirismo às fissuras onde a resiliência ainda cintila, ainda que efêmera.
Em um mundo obcecado pela incessante busca por produtividade, sucesso e uma felicidade cuidadosamente moldada, este ensaio propõe um olhar alternativo que escuta a cidade. Convida a uma imersão no cotidiano instável e dissonante de São Paulo — uma das maiores e mais complexas metrópoles do mundo. Ao longo de quatro anos percorrendo a cidade, câmera e palavra aliaram-se para revelar vertigens externas e internas em um percurso que não foi planejado, mas guiado pela fricção e pelo encontro.
Rapsódia Distópica se desdobra como uma investigação caleidoscópica das dicotomias visuais e sociais da vida urbana contemporânea. Inspirada no conceito de rapsódia — composição marcada pela fragmentação, improvisação e afeto — a obra oscila entre o impulso documental e a intuição poética. Uma crônica que desafia normas sociais e convenções artísticas, revelando o declínio dos ideais utópicos do mundo moderno.
A vida pulsante dentro desta cidade, dinâmica e volátil, atende aos mais variados interesses, mas seu caráter indigesto apresenta desafios a cada esquina. Essas imagens revelam as incongruências das polaridades urbanas, o fascínio do consumismo, sonhos não realizados e a criatividade que surge em resposta à adversidade.
Os dilemas abordados nesta cidade ecoam os encontrados em inúmeras outras ao redor do mundo — narrativas, experiências e perspectivas que atravessam fronteiras. A cidade é corpo. É ruína. É pulsação.
E a poesia é o que resta, quando tudo o mais vacila.




































