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As Quatro Estações da Saudade

Diante do diagnóstico de um câncer incurável que acometia os pulmões de meu pai, surge um impulso quase que vital de recorrer à minha prática fotográfica e escrita como um processo de reflexão e imersão frente aos complexos desafios impostos pela doença.

A constatação incontornável de sua partida paradoxalmente coincidiu com o momento em que a pandemia condenava a humanidade à fatalidade. Com uma filha de pouco mais de 1 ano de idade e outra há poucos meses no ventre de minha esposa, existia, em contrapartida, um sentimento de esperança e expectativa.

Impulsionado por este emaranhado de emoções parti a caminhar com minha câmera pelo solo fértil da fotografia, elegendo a cidade como matéria prima. Optei pelo caminho da incerteza. Permiti meus sentimentos aflorarem neste percurso como um relato de despedida, uma infância ferida, a ausência da paternidade que, agora, me fazia protagonista.

Me projetando pela cidade sem uma diretriz preestabelecida, fui em busca da poesia no lugar-comum, escrevendo e fotografando obstinadamente, estreitando as relações entre o ato de ver e de imaginar.

As ressonâncias muitas vezes inconscientes desta atividade fazem do ato fotográfico um componente essencialmente psicológico resultando neste caminho de descoberta, renúncia e desabafo.

Foi um ano de luta contra o câncer até o momento de despedida. Um ciclo de quatro estações que me transformou de maneira profunda. Observar o passar do tempo, o passar das estações na cidade foi uma relação simbólica à condição de degradação da saúde de meu pai e ao término de uma parte fundamental de minha infância. Assim, pude então tomar fôlego, e com maior consciência, estender o papel de pai às minhas filhas que passariam a conceber suas primeiras memórias afetivas.

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© RODRIGO KORAICHO

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