O túmulo do Carnaval

No Brasil, o Carnaval tem seu apogeu nos estados do Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais e em outras regiões do nordeste do país. São Paulo, sua cidade mais populosa, tinha a reputação de ser “o Túmulo do Carnaval” por não constar no itinerário dos principais destinos turísticos durante o feriado mais festivo do ano.

No entanto, há alguns anos esse cenário vem se transformando consideravelmente, e este ensaio surge como uma provocação a essa reputação. Só no ano de 2018, a prefeitura registrou um público de aproximadamente 9 milhões de foliões acompanhando os blocos carnavalescos pelas ruas da cidade. E é nas ruas que acontece o verdadeiro Carnaval. Nas ruas nasceu, e nelas se mantém radiante até hoje. É onde tudo acontece e onde tudo se mistura. Tudo mesmo.

Nesse ambiente caótico, tomado pela euforia, o lema é ser livre, e o prazer, uma necessidade. Em ritmo frené- tico, a energia é contagiante, o suor é compartilhado, e as emoções são convertidas em gestos, toques e beijos. Os contrastes, fantasiados e cobertos de purpurina, tinta e confete, camuflam os anseios de uma conjuntura política em crise e decadente.

Em um universo simbólico tão rico de significações, a profusão de sons, cores e detalhes cria uma poética de melodia contagiante, e as imagens convidam a se aproximar e participar dessa festa, tocar estes corpos e ouvir essa melodia.

O Carnaval revela, assim, um pouco da alma do povo brasileiro. Alma que canta, encanta, dança, samba, se fantasia, festeja. E sobretudo, a alma que transborda alegria.